Evento em Cuiabá reuniu mais de 800 participantes com destaque na comunicação e sustentabilidade no agro; Ana Carolina Villela, da Promove, marcou presença e analisou tendências para o setor
O Elas no Campo 2025, realizado em Cuiabá-MT, reuniu mais de 800 participantes e palestrantes de alcance nacional. Criado em 2018, o encontro fortalece o protagonismo feminino no agronegócio, promovendo debates sobre governança, sucessão familiar, gestão, inovação, desenvolvimento pessoal e ESG.
A programação contou com nomes como Thais Herédia, jornalista e comentarista econômica; Lorena Lacerda, consultora e idealizadora do evento; Elaine Coimbra, especialista em transformação digital; Mônica Salgado, comunicadora; e Mônica Monteiro, executiva. Os temas abordaram cenário econômico, inteligência artificial aplicada à produtividade, mercado da carne, sucessão familiar, liderança feminina e posicionamento de marca.
Branding como ativo estratégico – O debate sobre branding e comunicação estratégica mostrou que o agro começa a reconhecer a marca como um ativo de gestão, e não apenas como elemento de divulgação. A abordagem introduziu ao público que reputação, narrativa e presença de mercado são fatores decisivos para competitividade e crescimento.
Ana Carolina Villela, especialista em branding com 24 anos de atuação no mercado e fundadora da Promove, acompanhou as discussões e afirma que essa mudança de perspectiva é determinante para o futuro do setor.
“O agronegócio precisa tratar a comunicação como parte do seu núcleo estratégico. Marca sólida não se constrói em ações pontuais, mas em um processo consistente que sustenta negociações, atrai investimentos e protege a reputação mesmo em cenários adversos. Adiar essa agenda é abrir espaço para que outros definam a narrativa do setor.”
Para Ana, trazer o tema para espaços de debate no agro é um passo relevante para que produtores e empresas passem a integrar o branding à gestão com o mesmo peso dado à inovação tecnológica e à governança.
Legado pioneiro em sustentabilidade – As discussões sobre sustentabilidade e mercado abriram espaço para a pauta dos créditos de carbono e dos créditos verdes. O crédito de carbono remunera ações que evitam ou reduzem emissões de gases de efeito estufa. Já o crédito verde, modelo no qual a família de Ana foi pioneira há cerca de 15 anos, reconhece e recompensa a preservação ativa da vegetação nativa e os serviços ambientais associados, como proteção de nascentes e manutenção da biodiversidade.
A família estruturou projetos de créditos de floresta e biodiversidade muito antes da formalização da Cédula de Produto Rural (CDR) Verde, título que hoje viabiliza financeiramente esse tipo de operação. As iniciativas já envolveram instituições financeiras e compradores como Starbucks, TV Centro América e Sebrae.
“Começamos quando a prática ainda era pouco difundida. Hoje, ver o amadurecimento dos instrumentos ambientais comprova que é possível conservar e gerar valor econômico ao mesmo tempo. A agenda ESG precisa ser incorporada à gestão de forma estruturada, conectando impacto positivo e resultado financeiro.”


